Sínodo dos Bispos: Documento Final - 12ª parte
Publicado em 20 de fevereiro de 2025 - 16:47:26
Na terceira parte do Documento Final do Sínodo dos Bispos, terminando em 2024, reconhece que na “oração e no diálogo fraterno, reconhecemos que o discernimento eclesial, o cuidado com os processos decisórios e o compromisso com a prestação de contas e a avaliação do resultado das decisões tomadas são práticas com as quais respondemos à Palavra que nos mostra os caminhos da Missão (nº 79). “Essas três práticas estão intimamente interligadas. Os processos de tomada de decisão precisam de discernimento eclesial, o que exige ouvir em um clima de confiança, que é apoiado pela transparência e prela prestação de contas” (nº 80).
A confiança mútua deve caracterizar os discípulos de Jesus: “os tomadores de decisão precisam ser capazes de confiar e ouvir o Povo de Deus, que, por sua vez, precisa ser capaz de confiar naqueles que têm autoridade. Essa visão integral enfatiza que cada uma dessas práticas depende e apóia as outras, servindo à capacidade da Igreja de cumprir sua missão. Engajar-se em processos de tomada de decisão baseados no discernimento eclesial e assumir uma cultura de transparência, responsabilidade e avaliação exige treinamento adequado que não seja apenas técnico, mas capaz de explorar seus fundamentos teológicos, bíblicos e espirituais” (nº 80).
O Sínodo afirma que o discernimento é muito importante na vida da Igreja e ele “não é uma técnica organizacional, mas uma prática espiritual a ser vivida com fé. Exige liberdade interior, humildade, oração, confiança mútua, abertura para o novo e entrega à vontade de Deus. Nunca é a afirmação de um ponto de vista pessoal ou de um grupo, nem se resolve na simples soma de opiniões individuais; cada um, falando de acordo com a consciência, está aberto a ouvir o que os outros em consciência compartilham, de modo a buscarem juntos reconhecer ‘o que o Espírito diz às Igrejas’ (Ap 2:7)” (nº 82).
Na vida da Igreja “o discernimento eclesial é tanto uma condição quanto uma expressão privilegiada da sinodalidade, na qual a comunhão, a missão e a participação são vividas em conjuntos. O discernimento é tanto mais rico quanto mais todos são ouvidos. Por isso, é essencial promover a ampla participação nos processos de discernimento, com atenção especial ao envolvimento daqueles que estão à margem da comunidade cristã e da sociedade” (nº 82). “A escuta da Palavra de Deus é o ponto de partida e o critério de todo discernimento eclesial” (nº 83). As Escrituras testemunham que Deus falou ao seu povo e indicam os lugares para ouvi-lo.
Os Padres Sinodais declaram que o discernimento eclesial “exige o cuidado e a formação contínuos das consciências e o amadurecimento do sensus fidei, de modo a não negligenciar nenhum dos lugares onde Deus fala e vem ao encontro de Seu povo” (nº 83). “As etapas do discernimento eclesial podem ser articuladas de diferentes maneiras, dependendo dos lugares e das tradições. Também com base na experiência sinodal, é possível identificar alguns elementos-chave que não devem faltar:” (nº 84) o objeto de discernimento e o fornecimento de informações e ferramentas adequadas para sua compreensão; e um tempo para se preparar através da oração e da reflexão.
Outros elementos imprescindíveis no discernimento são: disposição interna de liberdade e compromisso com o bem comum; ouvir com atenção e respeito as palavras dos outros; a busca pelo consenso mais amplo possível, sem esconder conflitos; a formulação do consenso obtido e apresentação do mesmo a todos os envolvidos. Também deve ser buscada uma “adequada exegese dos textos bíblicos para ajudar a interpreta-los e compreendê-los, evitando abordagens parciais ou fundamentalistas” (nº 85). O conhecimento dos Padres da Igreja, da Tradição e dos ensinamentos do Magistério devem ser procurados, assim como a contribuição da Ciência.
Pe. Antônio Carlos D´Elboux – acdelboux@uol.com.br
Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus
Saltinho - SP