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O mistério celebrado no tempo do Advento

Publicado em 26 de novembro de 2021 - 10:15:46

O tempo do Advento se insere no Ciclo do Natal. Neste ciclo, fazemos memória da manifestação do Senhor Jesus em sua encarnação e em nossa história atual, enquanto aguardamos a sua nova vinda. O Ciclo do Natal engloba o Tempo do Advento, as Festas do Natal e o Tempo do Natal. Mas, o que realmente significa “Advento”? O que celebramos neste tempo?

A palavra “Advento”, tirada do vocabulário pagão, significa “chegada” ou “vinda”. O culto cristão é sempre celebração da vinda do Senhor. Entretanto, antes de celebrar o nascimento de Jesus Cristo no mistério do Natal, somos especialmente convidados a proclamar que o Senhor vem, e a nos preparar para a sua vinda.

Ao longo do tempo, o Advento foi sendo assumido como preparação para o nascimento do Senhor (o Senhor veio!), mas também, sobretudo, de preparação para este evento (o Senhor vem!) e espera da segunda vinda de Cristo (o Senhor virá!). O Tempo do Advento começa na tarde do Sábado véspera do 1o Domingo (I Vésperas), e vai até a tarde da véspera do Natal do Senhor. São quatro semanas de advento, tempo de piedosa e alegre espera para assumir em nosso íntimo o grito do povo que sofre, para celebrar a vinda de Deus em todas as nossas esperas e para preparar-nos para as festas do natal. É, sobretudo, “um tempo de devota e jubilosa espera” (NALC, n. 39), de vigilância (Mt 25,1-13) e espera de libertação (Rm 8,18-23).

Nas primeiras semanas do advento, vigilantes, esperamos a vinda gloriosa do Salvador, Jesus Cristo. Nos dias 17 a 24 de dezembro, lembramos a espera dos profetas e da Virgem Maria, preparando-nos mais diretamente o Natal de Jesus. Por isso, o tempo do Advento não pode ser resumido, simplesmente, a um tempo de preparação para a festa do Natal. O advento, portanto, celebra o mistério da segunda vinda e da primeira: “revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez, para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos” (Prefácio do Advento I).

O advento tem sua inspiração na espera da vinda do Reino, e a nossa atitude básica é acender e renovar em nós este desejo e este ânimo. O advento é, portanto, tempo de vigilância, de espera alegre e esperançosa; por isso, a Igreja reza: “Maranatha: Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,17-20). O advento é, sobretudo, tempo de rever nossos projetos (individual, social e comunitário) à luz do Reino e, nos unir e identificar com Maria na espera da vinda de seu Filho.

Sugestões pastorais:

1. A coroa do Advento (guirlanda com ramos verdes e 4 velas) é um símbolo catequético, e não litúrgico. Convém que fosse usada nas casas (liturgias domésticas), mas também nas igrejas, porém mais aconselhavelmente fora do presbitério. A coroa do Advento teve sua origem no seio da comunidade luterana, no norte da Alemanha, em meados do séc. XIX, mas foi assumida na pastoral da Igreja Católica, no séc. XX, com o “Movimento Litúrgico” que precedeu o Concílio Vaticano II. O ato de acender cada uma das velas, domingo a domingo, recorda aos fiéis a vigilância das virgens à espera do amado que vem (Mt 25,1-13), e neles suscita a expectativa de “esperar vigilante a chegada de Jesus, para que instruídos pelo próprio Salvador, corram ao seu encontro com suas lâmpadas acesas” (cfr. oração do dia da sexta-feira da 2ª semana do advento, in: MR, p. 139).

2. “Atualmente, muitas comunidades eclesiais, influenciadas pela onda consumista por ocasião das festas natalinas e de final de ano, estão assumindo o costume de enfeitar suas igrejas já bem antes de o Natal chegar. Em pleno tempo de Advento, que é um ‘tempo de piedosa e alegre expectativa’, já ornamentam suas igrejas com flores, pisca-piscas, árvores de Natal e outros motivos natalinos, como se já fosse Natal. Posso dar uma sugestão? Não sejam tão apressados. Não entrem na onda dos símbolos consumistas da nossa sociedade. Deixem o Advento ser Advento e o Natal ser Natal! Enfeites natalinos dentro da igreja, só quando o Natal chegar! Então, a festa com certeza será melhor. Sobretudo, se houver na comunidade uma boa preparação espiritual” (Frei José Ariovaldo da Silva, Revista Mundo e Missão, dez/2004).

Pe. Kleber Fernandes Danelon
Mestre em Liturgia pela Pontifícia Universidade Santa Cruz (PUSC), em Roma,
e Coordenador Diocesano de Pastoral (2016-2021).

 

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