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Palavra do Bispo: Criai ânimo

Publicado em 10 de setembro de 2021 - 09:18:10

No final de uma jornada de trabalho, qualquer pessoa está cansada e com pouca energia para continuar a fazer outras atividades. O corpo cansado precisa de descanso, precisa repor as energias, precisa recuperar o ânimo. Às vezes, no entanto, não é só corpo que está cansado, mas a mente também. E quando o cansaço vai além do físico e do mental, a pessoa perde o ânimo para todo tipo de atividade: físicas, intelectuais, recreativas ou produtivas. A pessoa que perde o ânimo, perde a esperança e não vê mais saída, tudo parece sem sentido. A expressão facial muda, falta o brilho no olhar e o sorriso no rosto. Saber quais os motivos que levam uma pessoa a isso é o primeiro passo para buscar uma cura. Quanto mais profunda é a dor que leva a essa falta de ânimo, mais difícil e mais penoso é o trabalho para restaurar o que foi perdido.

Ninguém está livre de passar por uma situação assim, nem o povo de Deus. Foi o que aconteceu quando ele experimentou a desolação do exílio. Naquele difícil momento, as pessoas vivenciaram um sentimento de abandono, de fragilidade e falta de esperança. Por isso, o profeta Isaías falou: "Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais!” (Is 35,4). Olhando para a realidade do povo, o profeta entendeu o seu sofrimento e suas palavras foram de exortação e ânimo. Mas as palavras não podiam ser apenas ilusórias, como que afastando as pessoas dos acontecimentos reais. Era preciso explicar a relação entre a fé e a vida. O povo precisava considerar as dificuldades e os desafios do exílio à luz da fé. A relação entre nossa confiança em Deus e os percalços da vida é algo que precisa ser retomado sempre porque, às vezes, os desafios parecem ir além das nossas forças.

Já no Novo Testamento, na busca por ajuda, as pessoas levavam seus enfermos até Jesus e pediam por eles: “Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão” (Mc 7,32). A imposição das mãos de Jesus é um sinal de que Ele se importa, cada pessoa importa em particular. Ele não apenas cura, mas toca a pessoa, quebrando a distância e o distanciamento, descendo à realidade pessoal daquele que precisa de cura e daquele que pede. A própria presença de Jesus é palavra de ânimo e de acolhida. A presença cura porque é um sinal de interesse e envolvimento da parte de quem pode ajudar e, ao mesmo tempo, aquele que precisa sabe que não está sozinho na sua dor e no seu sofrimento. Nos momentos em que os desafios parecem superar as forças de quem sofre, a presença cura e anima.

As curas realizadas por Jesus são atos de força divina e também são sinais escatológicos, que apontam para a realização do Reino. Entre o exílio, que o povo de Deus viveu, e as dificuldades e sofrimentos vivenciados no presente, existe grande semelhança. Independentemente de interpretações e valores, é preciso considerar, com atenção, os sofrimentos humanos e como eles podem gerar desânimo. Situações afetivas e econômicas são duas grandes geradoras de desgastes na atualidade e que foram incrementadas pelos efeitos da pandemia. É nesse contexto que se faz necessário levar uma palavra de ânimo, sendo presença e sinal do Reino. Passados quase dois anos do início da pandemia, há muito sofrimento pelo desemprego, pela fome, pela solidão e abandono, tentativas de suicídio, sofrimentos psíquicos e suas consequências físicas. Mesmo entre as pessoas religiosas há muitas dores e sofrimentos.

É necessário começar a recomeçar, levando uma palavra de ânimo e esperança aos que estão cansados e abatidos, aos que sabem pedir ou aos que podem pedir por ajuda e também aos que sofrem em silêncio. Qualquer que seja o motivo do sofrimento, a palavra e a presença têm grande poder para curar. Na angústia do exílio, a palavra do profeta foi um conforto e a presença de Jesus trouxe a cura. A Igreja e os discípulos de Cristo têm um importante papel nesse momento. Aliás, em outros tempos a Igreja já esteve presente em situações de pandemia, de guerra e nas muitas misérias humanas. A palavra que exorta e a presença que acompanha são os instrumentos mais eficazes para curar as dores que vivemos. Assim, a Igreja mais uma vez testemunha a relação entre a fé e a vida, vivendo as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje.

Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispo de Piracicaba

 

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