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A peleja dos padres contra os seminaristas

Publicado em 2 de setembro de 2026 - 12:27:29

Era para ser apenas uma partida amistosa entre Padres e Seminaristas: uma confraternização esportiva para celebrar a amizade, a fé e, naturalmente, a paixão por Deus — também na prática do futebol. De certo, eu havia comentado: "Pessoal, vamos misturar os times... Não precisa desse negócio de padres contra seminaristas... Vamos lá: jogo de Igreja!". Mas não. Seminarista escuta padre reitor? Não! "Divide, padre! Vamos nós contra vocês..."

Eis, portanto, a verdade dos fatos jogados:

Desde o início, os Padres mostraram que não estavam em campo apenas para distribuir bênçãos. Com poucos minutos de jogo, partiram para o ataque e abriram o placar. Logo brinquei: "O primeiro gol foi nosso; na dúvida de postar dizendo quem ganhou, já sabem, né?". Acendeu a chama do espírito neles — e antes fosse do Espírito Santo, pois foi o espírito de competição mesmo. Se havia fé e caridade de um lado, do outro havia juventude e disposição. Os Seminaristas reagiram rapidamente e começaram a transformar o que parecia uma vitória tranquila dos Padres em um verdadeiro pesadelo. Um gol puxou outro, que puxou mais um, e, quando os Padres perceberam, o placar já marcava 9 a 3 para os Seminaristas.

Nove a três!

A situação era tão desesperadora que alguns Padres já pareciam considerar seriamente a possibilidade de pedir um intervalo para uma confissão coletiva. Os Seminaristas, por sua vez, comemoravam cada gol com a alegria de quem já estava preparando o discurso da vitória: "Ai, padre, prepara o texto lá! Sem mentir dessa vez, hein?!"

Pois bem, "falo a verdade, não minto", tal como diria um antigo meme, antes da era dos reels e stories das postagens nas redes sociais.

Ainda havia jogo. Os Padres, que até então pareciam estar atravessando um verdadeiro calvário futebolístico, decidiram reagir. O quarto gol veio, depois o quinto, e, de repente, os Seminaristas começaram a perceber que aquele jogo estava ficando perigoso. O sexto gol fez acreditar. O sétimo aumentou a esperança. Quando saiu o oitavo, os Seminaristas já não comemoravam mais nada. O sorriso desapareceu, a confiança evaporou e até a juventude parecia ter envelhecido alguns anos. Então veio o empate.

Nove a nove.

O que antes parecia uma goleada histórica (e deveras rara) dos Seminaristas havia se transformado em um dos maiores sustos esportivos que aqueles jovens provavelmente enfrentariam na vida. Os Padres estavam de volta. E não era uma simples volta: era uma ressurreição futebolística.

Restava apenas um gol; era o famoso "10 acaba!".

Irmãos e irmãs, creiam!

A bola chegou aos pés de um dos Padres, que avançou determinado em direção à área. Os Seminaristas tentaram impedir o ataque, mas já era tarde. O Padre driblou um, passou por outro e, diante do goleiro, teve a tranquilidade de quem sabia que aquele momento já estava escrito em algum lugar — provavelmente nas páginas de um livro que os Seminaristas não haviam estudado.

Veio a finta no goleiro. O chute. A bola encontrou a rede. Dez a nove para os Padres!

(Rezo uma Ave-Maria para quem adivinhar quem era esse padre!)

Os Padres rezando bendiziam a Deus, enquanto os Seminaristas permaneciam atônitos, tentando compreender como uma vantagem de 9 a 3 havia se transformado em uma derrota de 10 a 9. Foi uma virada tão espetacular que, por alguns instantes, ninguém sabia mais se estava diante de uma partida de futebol ou de um acontecimento sobrenatural.

A partida terminou com uma vitória épica dos sacerdotes. Foi uma peleja para entrar nos anais do futebol e, quem sabe, até no calendário litúrgico. Porque naquele dia não houve apenas futebol: houve fé, houve unção, houve raça, houve gols. E, principalmente, houve futebol de Padre!

Pe. Claudio Furlan
Presbítero da Diocese de Piracicaba

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