Quando falamos em dízimo, é importante adotar uma linguagem precisa, que expresse a verdade. Dízimo não é esmola, doação, colaboração, empréstimo, ajuda, espórtula, ato de piedade, desencargo de consciência, caridade para com a Igreja, nem compra de privilégios. Aquilo que levamos ao altar já pertence a Deus; por isso, não se trata de partilha nossa para com Ele, pois não podemos partilhar o que já é Seu. Podemos, sim, dizer que se trata de uma partilha de Deus com o homem.
A parte que também pertence a Deus, mas permanece conosco, essa sim podemos doar, ofertar, dar como ajuda, colaborar com alguém, contribuir para uma obra, oferecer como esmola, entregar na coleta, partilhar com os irmãos etc.
Dízimo é devolução. Por meio da comunidade e para a comunidade, devolvemos a Deus o que Lhe pertence. Não é pagamento — Deus não é comerciante. Tudo o que Ele já nos deu, o que nos concede todos os dias e o que ainda nos permitirá receber — tanto o que conhecemos quanto aquilo que o homem ainda não descobriu — foi criado por Deus, por infinito amor a todos nós, sejamos dizimistas ou não.
Cabe a nós responder com atos de fidelidade. E, por graça divina, aquilo que, por obediência, devolvemos a Deus é utilizado para o nosso próprio bem. A maioria dos cristãos compreende isso com clareza; muitos devolvem exatamente o que a Bíblia recomenda: dez por cento de tudo o que recebem. A Igreja Católica nos concede liberdade: podemos entregar no altar aquilo que a nossa consciência determinar, na esperança de agir com justiça, sem oferecer menos do que deveríamos devolver a Deus. Vale lembrar que quem não é justo com Deus pode estar retendo para si algo que não lhe pertence.
Os diversos nomes que usamos para definir essa relação com Deus acabam nos afastando da verdade e nos induzindo ao erro. É comum ouvir alguém dizer que não precisa ser dizimista porque já dá esmola, contribui com a Igreja, ajuda nas festas e partilha com os irmãos. Interpretar o dízimo e nomeá-lo de acordo com a própria conveniência tem sido um grande obstáculo para a evangelização, especialmente quando se busca compreendê-lo como expressão de fé em Deus e de pertença à Sua Igreja.