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Urbi et Orbi: o ministério do bispo de Roma a serviço do mundo

Publicado em 30 de abril de 2026 - 14:35:18

Ao recordarmos o primeiro ano do pontificado do Papa Leão XIV, eleito em maio do ano passado, podemos reconhecer gestos simples, mas profundamente significativos neste início de pontificado.

Como Bispo de Roma, o Santo Padre já visitou comunidades paroquiais de sua diocese, aproximando-se do povo que lhe foi confiado e testemunhando a beleza de uma Igreja que caminha junto. Como religioso da Ordem de Santo Agostinho, reencontrou seus confrades, recordando que sua vocação nasce de uma vida entregue a Deus. E, trazendo consigo a experiência vivida na Conferência Episcopal Peruana, viveu momentos de grande estima por aqueles que foram seus irmãos na missão episcopal naquele país.

No exercício de sua missão como Sucessor de Pedro, promoveu nomeações na Cúria Romana, realizou viagens apostólicas, entre elas uma significativa visita ao continente africano, a mais longa até agora, e tem elevado, com insistência, seu apelo pela paz, sobretudo diante das feridas ainda abertas pelos conflitos no mundo.

Ainda é cedo para delinear plenamente as características de seu pontificado, mas seus primeiros passos já revelam um estilo próximo, atento e profundamente pastoral, atento às realidades de nosso tempo.

Porém, mais do que isso, este primeiro ano nos convida a redescobrir o significado do ministério do Papa, o Bispo de Roma. É a partir dessa Igreja que lhe é confiada uma missão que se estende a toda a Igreja.

Por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, o Ofício das Leituras nos propõe um sermão de São Leão Magno, no qual, por meio das Sagradas Escrituras, explica como o próprio Senhor distinguiu a missão de São Pedro e de seus sucessores à frente da comunidade eclesial:

“E sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18). Sobre esta fortaleza, construirei um templo eterno. A minha Igreja, destinada a elevar-se até o céu, deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro. O poder do inferno não impedirá esse testemunho; os grilhões da morte não o prenderão, porque essa palavra é palavra de vida. E, assim como conduz aos céus os que a proclamam, também precipita no inferno os que a negam.”

“Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E, se quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio do mesmo Pedro que isso lhes foi concedido.”

A ligação entre o apóstolo Pedro e a Igreja de Roma está enraizada na mais antiga tradição cristã. Já no segundo século, Santo Irineu de Lyon, na obra Contra as Heresias, exaltava a primazia da Sé de Roma: “a maior e mais antiga e conhecida por todos, a Igreja fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo”. Por isso, o Bispo de Roma é reconhecido como sucessor de Pedro não apenas por uma continuidade espiritual, mas também por uma histórica ligação com o lugar onde o apóstolo viveu, anunciou o Evangelho e terminou por entregar sua vida por Cristo.

Assim, a antiga expressão latina Urbi et Orbi, à cidade e ao mundo, não é apenas uma fórmula litúrgica, mas sintetiza essa realidade: o Papa fala a partir de Roma, mas sua voz alcança toda a Igreja e toda a humanidade.

Essa compreensão, presente já nos primeiros séculos do cristianismo, foi sendo melhor desenvolvida ao longo da história até os tempos mais recentes. O Concílio Vaticano II declara: “o Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é perpétuo e visível fundamento da unidade, não só dos Bispos, mas também da multidão dos fiéis” (cf. Lumen Gentium, 23).

E, no decorrer da história, essa missão já foi assumida por diversos homens, vindos de várias nacionalidades. Refletindo o próprio contexto histórico, antes da massiva maioria de papas europeus, sobretudo oriundos da Itália, a Cátedra de Pedro já foi ocupada por homens oriundos do norte da África e da atual Síria.

No entanto, nas últimas décadas, vemos um sinal ainda mais evidente da universalidade da Igreja.

Com a eleição de São João Paulo II, em 1978, o papado deixa a Itália. Depois dele, Bento XVI e, a partir do Papa Francisco, há um olhar para além do Velho Mundo. Essa diversidade não é ocasional, mas expressa uma Igreja viva e presente em todos os continentes.

Em um passado não muito distante, a Europa enviava missionários ao mundo inteiro. Nossa Diocese reconhece essa riqueza e recorda com gratidão o testemunho de alguns desses homens, que deixaram sua terra natal e se lançaram à missão além-mar: como os holandeses Pe. João Rutten, SSCC, e Pe. Eusébio Van Den Aardweg, SSCC, e o português Pe. Manoel Rodrigues dos Santos, estes ainda hoje vivos na memória dos paroquianos de São João Batista, em Capivari; Padre João Echevarria Torre, espanhol que idealizou a Igreja do Imaculado Coração de Maria, em Piracicaba; Pe. Vincenzo Tonetto, SX, xaveriano que trabalhou nas cidades de Piracicaba e Saltinho; o belga Pe. Paulo Haenraets, que exerceu seu ministério em Piracicaba e Santa Bárbara d’Oeste, e também autor e criador de um notável material catequético; e, claro, nosso Bispo Emérito, frei Fernando Mason, OFM Conv., natural de Loreggia, região do Vêneto, no norte da Itália, que por quinze anos esteve à frente de nossa Igreja Particular.

A eleição de um Papa fora da Europa é não só fruto das sementes lançadas em outros continentes por tantos homens e mulheres, como também um sinal da nova realidade eclesial vivida pela Igreja neste momento.

O continente, rico em história e possuidor de uma antiga e robusta tradição cristã, agora acolhe em seu seio missionários e missionárias de todos os cantos do mundo. Em uma breve partilha que tomo a liberdade de fazer, nesta oportunidade ímpar de viver em Roma, nota-se essa grande dimensão universal da Igreja, onde facilmente nos encontramos com padres, religiosos, religiosas e leigos de diversos países, e cada um de nós traz consigo sua realidade eclesial, os desafios que enfrenta em seu próprio país no anúncio do Evangelho, mas também a alegria e a satisfação pela acolhida da Boa Nova que é anunciada.

Por isso, testemunhar uma instituição tão antiga e permanente como o Papado, que no último século se diversificou, acolhendo a própria realidade da Igreja, é um vivo sinal da vitalidade da Igreja de Cristo e da ação do Espírito diante de nós.

Ao celebrarmos este primeiro ano do pontificado do Papa Leão XIV, somos convidados não apenas a acompanhar seus passos, mas a rezar por ele e a renovar em nós a consciência de pertencermos a uma Igreja verdadeiramente una, universal, apostólica e missionária.

Pe. Mateus Kerches Nicolucci
É presbítero da Diocese de Piracicaba e atualmente realiza estudos em Roma, na Itália

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