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Semeadores da esperança: a qualidade dos frutos

Publicado em 30 de setembro de 2025 - 15:43:42

Neste quarto e último artigo da série “Semeadores da Esperança”, sobre o trabalho dos catequistas, chegamos a um ponto fundamental na caminhada de todo semeador: a colheita dos frutos. Jesus, na parábola sobre a qual estamos refletindo (Mc 4,1-9), nos revela que a terra boa produz quantidades variadas — 30, 60, 100 por um — conforme a abertura e capacidade de cada terreno. Não se trata de medir a produtividade pelo volume, mas pela qualidade e pela vida que brota da semente lançada.

Na pastoral e na catequese, somos tentados a buscar números expressivos, quantidade e rápida resposta. No entanto, o Papa Bento XVI nos alerta para um olhar que valorize a qualidade sobre a quantidade, pois a Igreja, por vezes reduzida a pequenas comunidades fiéis, é suficiente para realizar a obra de Deus. Cada fruto de conversão, mesmo que discreto, tem um valor inestimável, pois é sinal de uma vida transformada pelo Evangelho.

Essa qualidade não se limita a um conhecimento doutrinário, mas alcança a transformação do coração, da vida e do comportamento. É fruto de conversão verdadeira quando a palavra acolhida gera mudança nas atitudes, no amor ao próximo, na vivência da comunidade, na disposição para o serviço e na fidelidade a Cristo. É essa a colheita que deve motivar o catequista e o evangelizador a perseverar.

A perseverança é outro elemento decisivo nesse processo. A catequese e a evangelização são ministérios de longo prazo, exigem paciência e constância. Nem todos respondem imediatamente; muitos precisam de acompanhamento contínuo, pois o crescimento da fé é um caminho que se faz passo a passo, com tempos diferentes para cada um. O que aparentemente pode parecer lento ou insuficiente, muitas vezes é um processo sólido de enraizamento da fé.

Assim, é missão do catequista não desanimar diante das dificuldades, nem se deixar levar pelo pragmatismo que valoriza somente os resultados rápidos. É preciso ter a coragem e a esperança de continuar semeando, sabendo que a graça de Deus age, mesmo onde não se vê imediatamente o fruto. O processo de transformação leva tempo, mas é eficaz quando sustentado pela fé.

Nesse percurso, a comunhão com a Igreja fortalece o catequista e a comunidade. O bispo, como pastor e guardião da fé apostólica, e todos os agentes de pastoral formam uma rede que apoia e incentiva a missão. Unidos, somos mais capazes de enfrentar as resistências do caminho, as distrações do mundo e as dificuldades internas.

Por fim, ser semeador da esperança é ser instrumento da graça que transforma vidas e comunidades. É lançar a semente com fé, acompanhar com amor e perseverar com paciência, confiando sempre no poder da Palavra de Deus, que nunca volta vazia. Que possamos, como catequistas e cristãos, ser fiéis a este chamado, celebrando cada fruto, por menor que seja, como testemunho da vida nova em Cristo. Que cada semeador e cada comunidade se edifiquem nessa certeza, renovando a coragem para continuar a missão com fé, amor e alegria.

Dom Devair Araújo da Fonseca
Bispo de Piracicaba

 

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