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Relíquia e imagem de santo suíço serão entronizadas em capela de Piracicaba

Publicado em 7 de outubro de 2021 - 17:29:59

Imagem de São Nicolau de Flüe ao lado da esposa Doroteia; ao lado, detalhe do relicário com fragmento de osso do santo

Um fragmento de osso, considerado relíquia de primeiro grau, de São Nicolau de Flüe e uma imagem do místico suíço, ao lado de sua esposa Doroteia, serão oficialmente entronizados na Capela São Francisco de Assis e Santa Clara, no Jardim Gloria, em Piracicaba.

O rito será realizado na próxima quinta-feira (14), às 19h30, pelo Bispo Dom Devair Araújo da Fonseca, durante a missa de 23 anos da morte do frei Francisco Erasmo Sigrist, o frei Sigrist. A cerimônia será concelebrada pelo padre Fábio Donizetti Golfetti (MPS), pároco da São Francisco Xavier, paróquia à qual pertence a capela do Jardim Glória.

De acordo com o historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), Claudinei Pollesel, a relíquia e a imagem peculiar do santo ao lado da esposa foram entregues à comunidade de Piracicaba por representantes da Paróquia de Sachseln, na região de Obwalden, na Suíça, onde viveu, morreu e está sepultado São Nicolau de Flüe.

A colocação da relíquia e da imagem em local de destaque na capela atende a um antigo desejo de frei Sigrist, que dedicou mais de uma década de sua vida ao Jardim Glória -desde quando o local ainda era uma favela- e ajudou na formação do bairro. Segundo Pollesel, algumas famílias presentes em Piracicaba e também na Colônia de Helvetia, em Indaiatuba, são descendentes de Nicolau e Doroteia, que tiveram dez filhos.

“Esse era o caso do frei Sigrist, ele era descendente de São Nicolau de Flüe”, afirma o historiador, destacando que, entre antigos pertences encontrados no barraco onde viveu o religioso no Jardim Glória, estavam alguns escritos a amigos e à comunidade da Paróquia que guarda os restos mortais do santo na Suíça.

Trecho de um desses manuscritos, com data de 1997, diz: “O Natal, aqui na Favela, celebraremos às 20 horas no Centro Comunitário; no ano que vem, se Deus quiser, na Igreja nova que está em fase de construção. Ainda faltam os vitrôs, pintura, altar e bancos. A relíquia de São Nicolau pretendo colocar, incrustrada na parte do altar, frente ao público”. O frei, no entanto, faleceu no ano seguinte, em 1998, sem concretizar o desejo.

Sobre a imagem de São Nicolau enviada ao Jardim Glória, Pollesel acredita que ela pode ser a única no Brasil em que o santo está ao lado da esposa. Essa configuração é relativamente rara, já que Nicolau é frequentemente representado sozinho, como eremita de vestes rústicas e Rosário na mão. “Foi João Paulo II, ao visitar o túmulo de Nicolau, que pediu que Doroteia também fosse lembrada, embora não seja canonizada, pois ela abriu mão do esposo para que ele vivesse uma vida dedicada a Deus, à oração”, comentou o historiador.

Em setembro, Dom Devair (ao centro) se reuniu com representantes da comunidade para planejar celebração do dia 14 de outubro

 

RELÍQUIAS – É uma antiga tradição cristã conservar objetos associados a fiéis seguidores de Cristo ou ao próprio Jesus. Estudiosos acreditam que a prática teve origem já no século 2, época em que cristãos costumavam recuperar, quando possível, os corpos dos mártires (pessoas que morreram por sua fé). Também se firmou como uma tradição a construção de igrejas sobre os locais onde restos mortais dos santos eram depositados.

São relíquias de primeiro grau, ou “primeira classe”, o corpo propriamente dito do santo ou fragmentos dele (ossos, cabelos). Algo que pertenceu à pessoa ou pedaços desses objetos são relíquias de segundo grau. Já as de terceiro grau são materiais que o santo tocou ou que tiveram contato com outras relíquias.

 

NICOLAU – Segundo informações da Congregação para as Causas dos Santos, do Vaticano, Nicolau nasceu em 1417 em uma família de camponeses, na cidade de Flüe, região de Obwalden, então Confederação dos oito Cantões da Suíça central. Apesar de permanecer analfabeto por toda a vida, foi considerado um dos maiores místicos da Igreja católica.

Após ter de lutar como soldado e oficial em guerras de 1440 a 1444, voltou para casa e se casou com Doroteia, com quem teve dez filhos. Depois de 20 anos, com o consentimento da esposa, ele se retirou para a vida monacal. Construiu para si uma cela de tábuas em uma região íngreme, onde viveu por mais duas décadas, vestindo farrapos, descalço, com um terço e alimentando-se apenas da Eucaristia.

O estilo de vida despertou a curiosidade das pessoas da região, que procuravam Nicolau para pedir conselhos e explicações sobre assuntos religiosos ou apenas para espiá-lo. Foram raras as vezes que deixou seu refúgio. Ainda segundo a Congregação para as Causas dos Santos, o eremita foi requisitado duas vezes para impedir guerras em seu país. Nas duas ocasiões, conseguiu acalmar os ânimos. Por isso, é chamado também de “Construtor da Paz”.

Nicolau de Flüe faleceu em sua cela, em 1487, no dia em que completava 70 anos de idade. Foi canonizado por Pio XII, em 1947.

No início do ano, Dom Devair visitou o barraco onde viveu frei Sigrist

Capela São Francisco de Assis e Santa Clara, que pertence à Paróquia São Francisco Xavier, também foi visitada por Dom Devair

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