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Como devo rezar o Pai Nosso: mãos dadas ou levantadas?

Publicado em 2 de agosto de 2019 - 16:33:08

Como devo rezar o Pai Nosso: mãos dadas ou levantadas?”
(Lucas Licerre Barros de Andrade, 18 anos, Piracicaba/SP)

Lucas, na edição anterior (julho-2019), tratamos da oração litúrgica do Pai Nosso. Sua pergunta está em sintonia com o artigo anterior, no qual, de fato como você bem observou, não tratei do gesto que acompanha a oração do Senhor. Obrigado!

Na tradição litúrgica, a oração do Pai Nosso é chamada de Oração dominical. Desde tempos muito antigos, na Santa Missa, esta oração é acompanhada dos gestos litúrgicos próprios do sacerdote que preside a celebração e dos demais sacerdotes concelebrantes: abrir e elevar as mãos (cf. IGMR 152 e 237). Nesta oração litúrgica, diáconos e fiéis não deveriam dar as mãos uns aos outros, como fazem alguns cristãos protestantes, nem mesmo abrir ou elevar as mãos, como fazem unicamente os sacerdotes na Missa. “Se o gesto de dar as mãos fosse necessário, importante ou conveniente para toda a Igreja, os bispos ou as conferências episcopais já teriam enviado uma petição a Roma, há muito tempo, para que tal prática fosse implantada. Não o fizeram e penso que nunca o farão”, disse Pe. Henry Vargas Holguín. O gesto litúrgico é previsto não pelo arbítrio de cada fiel, mas pela Mãe Igreja, segundo a variedade de estados, funções e participação (cf. SC 26).

Quanto ao Pai Nosso na Missa, o Cerimonial dos Bispos (Cerimonial da Igreja), na rubrica nº 159, orienta que “Terminada a Oração eucarística, o Bispo junte as mãos e proclame o convite à oração dominical, a qual todos, a seguir, cantam ou recitam. Enquanto isso, o Bispo e os concelebrantes mantêm as mãos estendidas”. O rito prescreve apenas o gesto do Bispo e sacerdotes concelebrantes. A interpretação da legislação litúrgica nos faz entender que os diáconos e os demais ministros, como também os fiéis em geral, devem permanecer em pé e de “mãos postas”. O que são “mãos postas”? É o gesto de colocar as mãos diante do peito, de tal modo que os dedos unidos e estendidos se tocam, embora o polegar direito se sobreponha ao esquerdo em forma de cruz (cf. Ludovico Trimeloni, Compendio di Liturgia Pratica, III ed., Casa Editrice Marietti, Genova-Milano, 2010, p. 375).

Um diácono, ministro instituído ou fiel leigo poderia dar as mãos ou, ainda, abrir e elevar as mãos, durante a oração litúrgica do Pai Nosso? A Igreja nos ensina que não! Por quê? Porque o Concílio Vaticano II disse que: “Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação de todos. Para isso, deve-se atender ao que está definido pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de cada um. A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes” (SC 42). As leis litúrgicas (normas) e a tradição da Igreja referente à liturgia, inclusive dos gestos litúrgicos na Santa Missa, estariam acima da livre interpretação, subjetivismo ou emotividade.

Todavia, Lucas, fora da celebração litúrgica, nada impediria que as pessoas recitassem a oração do Pai Nosso com o porte do corpo que melhor convier. Mais importante de tudo: rezar com fé!



Pe. Kleber F. Danelon
Mestre em Liturgia pela PUSC, em Roma,
e Coordenador Diocesano de Pastoral

 

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